Será que da certo em nosso País!?



  É um sonho mais não é impossível. 10 empresas paulistas vão desenvolver tecnologias e produtos com aplicações em cidades inteligentes e sustentáveis. Selecionadas por meio de chamada de propostas conjunta da FAPESP e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no âmbito do Programa PIPE/PAPPE Subvenção, elas terão suas pesquisas apoiadas por até 24 meses.
“É primeiro edital do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) sobre cidades inteligentes e poderão haver, no futuro, outras chamadas no mesmo tema. A área de cidades inteligentes ganhou destaque nos últimos anos e possui um ótimo potencial para gerar impactos positivos na sociedade e na economia”, disse Fabio Kon, membro da coordenação adjunta de Pesquisa para Inovação da FAPESP.
A expectativa é que os produtos desenvolvidos pelas empresas sejam aplicados em cidades brasileiras e também ganhem escala global. “Quando lançamos o edital, em parceria com a Finep, a ideia era que todos os projetos fossem ousados e ambiciosos. Não perguntamos se dariam certo ou não. O que queremos é pesquisas de qualidade que almejem mercados”, disse Douglas Zampieri, também membro da coordenação.
Quando se fala em inovação tecnológica, fala-se também em alto risco. Para minimizar o risco, os projetos analisados passaram por uma seleção rigorosa que levou em conta equipe, plano de negócios, viabilidade e capacitação.
Francisco Luiz Biazini Filho, da Rede Resíduos, participou, com projetos diferentes, das três fases do PIPE. “No primeiro projeto selecionado, eu era bolsista. No segundo, virei sócio da empresa e, agora, sou coordenador. Graças ao apoio do PIPE, a Rede Resíduos cresceu, e hoje temos vários clientes”, disse.
Com proposta selecionada na chamada Cidades Inteligentes, Biazini Filho e equipe desenvolverão um sistema de rastreabilidade e telemetria que acompanha desde a origem do lixo até a sua transformação em produto reciclado.
O sistema informará quando as caçambas e os contêineres de lixo estiverem cheios, o que facilitará a logística da coleta de resíduos na cidade. Além disso, o sistema irá gerar indicadores, métricas e uma série de informações para aprimorar o processo de coleta.
“É uma área de muita emergência. Nenhum município hoje no Brasil está com o problema de resíduos equacionado. Qualquer cidade gasta em média 5% do orçamento com a limpeza pública e todos estão sendo pressionados para gerar economia, envolver os catadores e criar processos mais eficientes”, disse Biazini Filho.
O projeto de monitoramento e telemetria das caçambas fecha um ciclo iniciado nos projetos realizados pela empresa nas Fases 1 e 2 do PIPE ao disponibilizar o sistema que conecta em rede grandes geradores de resíduos com recicladores, transportadores e empresas de tratamento.
“A Rede Resíduos já trabalha na reciclagem para reduzir o lixo no aterro. Agora, vamos atacar a outra ponta da questão e gerar economia no custo da logística de coleta”, disse Biazini Filho.
Bikes e iluminação pública
A Pullup, empresa de engenharia eletrônica de olho no futuro das cidades a partir das bicicletas, também teve seu projeto aprovado na chamada FAPESP-Finep. O projeto SmartBike usa uma plataforma de Internet da Coisas associada às bicicletas para coletar e gerenciar dados sobre mobilidade urbana.
“Tínhamos o projeto há mais de um ano antes de nos inscrevermos no edital. Boa parte dos elementos físicos já está desenvolvida e, agora que fomos selecionados, vamos finalizar o produto e entrar no mercado ”, disse Conrado de Vitor, um dos sócios da Pullup.
O projeto de bicicletas inteligentes será feito em três etapas. A primeira cria um aplicativo para assessorar o ciclista com rotas e um dispositivo com sensores de LED para afixar na roda da bicicleta. Ele tem como funções principais chamar a atenção (para evitar colisões) e capturar informações sobre velocidade, aceleração, trepidação e até umidade da ciclovia e poças de água.
A segunda etapa consiste em desenvolver uma infraestrutura de coleta de dados nas vias. Serão instalados detectores (beacons) para captar informações sobre fluxo de ciclistas e condições da ciclovia. Os dispositivos de comunicação sem fio conectados na ciclovia farão troca de dados com as bicicletas e serão conectados também a uma rede central, que por sua vez estará conectada à internet.
A terceira etapa do projeto é de desenvolvimento de um software de inteligência de dados. “Com o software, teremos condições de gerar informações do estado das ciclovias, rota e tráfego de ciclistas. Esses dados darão uma base teórica para determinar ações da prefeitura, como a criação de novas ciclovias”, disse Rafael Mosna, cofundador da empresa.
A Pullup estuda a instalação de um piloto do projeto. “É importante ter um piloto, pois no mercado não há uma solução com a abordagem sistêmica do projeto, que integra os aparelhos fisicamente acoplados às bikes e à internet”, explica Mosna.
A ideia é que os dados coletados não fiquem apenas com as prefeituras e sejam disponibilizados também para outras empresas, incentivando a criação de outros aplicativos, sistemas, mapas e serviços. “É fundamental que essa plataforma seja aberta e outras empresas se somem a este esforço para criar cidades mais acessíveis aos ciclistas”, disse De Vitor.
Iluminação pública
Tornar um sistema capaz de operar com múltiplos serviços é o que norteia o projeto de iluminação pública da Desh Tecnologia, também selecionada no edital. A empresa desenvolve um sistema de comunicação, sem fio e via rádio, para fazer o controle de luminárias públicas de um bairro ou uma cidade.
“A iluminação é uma ótima base para desenvolvermos o sistema. Nosso objetivo maior está em fazer com que a rede implantada para a iluminação se torne disponível para uma série de outras soluções, como controlar semáforos, estacionamento e tráfego ou medir energia e água”, disse Douglas Malvar Ribas, sócio da Desh.
O sistema de iluminação inteligente terá três elementos. O primeiro é a célula de controle de iluminação, um rádio que vai na luminária pública e a liga, desliga, controla intensidade e dá diagnósticos. Há ainda rádios-mestres concentradores fixados em locais estratégicos e que se comunicam com todas as luminárias e as conectam com uma central de controle. O terceiro elemento é o software que fica na central e faz todo o controle da rede.
“Um ponto muito importante no programa PIPE-FAPESP, desde a década de 1990, é um bem não tangível: a incorporação da gestão da inovação dentro das empresas. Os relatos das empresas de sucesso que passaram pelo programa são unânimes em dizer que o PIPE-FAPESP ajudou a trazer não apenas a inovação para dentro da empresa, mas trouxe também a gestão da inovação”, disse Zampieri.
A relação das empresas selecionadas na chamada Cidades-Inteligentes/Cidades Sustentáveis está disponível em: www.fapesp.br/10834

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